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Inteligência Artificial na educação: desafios e oportunidades

Com a implementação da Inteligência Artificial, o mercado educacional tem discutido eventuais mudanças em seus métodos e abordagens didáticas. A IA surge como uma revolução em andamento, afetando o ensino, redefinindo a formação dos professores e fornecendo possíveis caminhos para um acesso igualitário à educação.


Na era digital em que vivemos, a Inteligência Artificial (IA) ocupa um espaço cada vez maior nas funções do cotidiano, como economia, política, lazer, entretenimento e relações pessoais. A educação também não está imune a essa mudança.


Para enriquecer o debate sobre a incorporação da Inteligência Artificial na educação, contamos com a experiência de três profissionais de áreas relevantes: Jadson do Prado Rafalski, professor universitário e mestre em informática; Daniel Carlos Ferreira, Engenheiro, Consultor Empresarial e Especialista em Inovação; e Márcia Gonçalves de Oliveira, Doutora em Engenharia e Mestre em Ciência da Computação.



O impacto da IA na educação


A implementação da Inteligência Artificial na educação não veio como um recurso emergente para a sociedade, faz parte do avanço tecnológico da nossa época e pode nos trazer inúmeros benefícios no processo de ensino e aprendizagem.


Um dos recursos mais utilizados da IA na educação é a personalização do ensino por meio de plataformas e aplicativos que podem acompanhar o processo de aprendizagem do aluno, contribuir para o seu desenvolvimento educacional, atender às suas necessidades individuais e, por fim, potencializar seus estudos.


O Professor Jadson Rafalski reforça: “Essas plataformas fazem uso de dados e algoritmos de aprendizado de máquina para adaptar a experiência de cada aluno individualmente. ”


De fato esse recurso mostra-se enriquecedor para o meio educativo, como bem aponta a Doutora Márcia de Oliveira sobre o sistema de recomendação: “Se um estudante se interessa por um determinado tipo de conteúdo, é muito provável que ele também se interesse por outros conteúdos similares a esse. Se um conteúdo ou atividade é recomendado para ele conforme suas dificuldades, é muito provável que o sistema recomende os mesmos itens para outros estudantes que apresentam as mesmas dificuldades.”



Sistema de avaliação


A incorporação da IA no campo educacional também deixa lacunas e ainda apresenta desafios a serem enfrentados como, por exemplo, nos sistemas de avaliação.


Seguindo o pensamento do Especialista em Inovação Daniel Carlos, o processo de aprendizagem se desenvolve de forma complexa, exigindo mais que um mecanismo padrão de avaliação do aluno, e envolve não apenas habilidades cognitivas, mas também habilidades socioemocionais e criatividade.


Provando empiricamente essa dificuldade, a Profª Márcia desenvolveu em sua tese de Doutorado um sistema de avaliação semi-automática de exercícios de programação de computadores. Com essa experiência, a Doutora relata que um dos maiores desafios foi adaptar a avaliação automática às questões discursivas: “A avaliação totalmente automática ainda é um desafio porque, para corrigir atividades, o sistema de avaliação precisa de exemplos do especialista humano para aprender.”


Em concomitância com esse fator, Rafalski destaca a seguridade dos alunos para que essa avaliação atinja o objetivo esperado: “Para superar esses obstáculos, é imperativo desenvolver sistemas de avaliação baseados em IA que sejam transparentes e robustos, garantindo a integridade do processo de avaliação e resguardando os dados dos estudantes.”




Desafios na sala de aula


Cuidado é sempre necessário para o uso da tecnologia nas salas de aula, e com a participação proeminente da IA na sociedade, esse recurso também levanta preocupações importantes de serem analisadas para a garantia da integridade do usuário.


Dessa forma, o vazamento de informações pessoais e a preservação da privacidade tornou-se um dos pontos mais questionados para a integração oficial da IA na educação, como aponta Rafalski: “É importante regulamentar e garantir medidas de segurança rigorosas para proteger essas informações e evitar seu uso indevido, como para fins comerciais ou de vigilância.”


Nesse viés, Oliveira enfatiza que apesar de inteligente, essas máquinas não possuem uma das principais características para a tomada de decisões, cuja propriedade é exclusivamente humana: a consciência.


Mais uma problemática para esse uso é a dependência tecnológica que já vem sendo enfrentada em diversos setores da sociedade. No entanto, o consultor Daniel Carlos ressalta que a IA, assim como outras tecnologias, deve ser vista como uma adição ao processo, e não como uma subtração.


Logo, a adaptação desse recurso para a educação é necessária, mas essa ferramenta pode oferecer oportunidades para um ensino mais eficaz e personalizado.





A atualização do docente


O avanço da IA demanda conhecimento para além das didáticas tradicionalmente aplicadas nas salas de aula, e esse trabalho exige que o papel do professor acompanhe a evolução tecnológica contemporânea aos seus alunos.


Para Daniel Carlos, a formação continuada, por exemplo, sofrerá eventuais mudanças, pois tem como objetivo a especialização e atualização no mercado educacional.


Segundo o engenheiro, recursos de aprendizado, capacitação e referências de materiais relevantes à especialização podem ser grandes aliados nesse processo, aprimorando as habilidades e os conhecimentos do profissional da educação.


Jadson Rafalski, por sua vez, comenta que apesar de grande contribuição para essa formação, a IA também revela as qualidades únicas do professor no processo de ensino e aprendizagem, como a inteligência emocional, adaptabilidade e a capacidade de estabelecer conexões significativas com os alunos.





Assim, Márcia de Oliveira conclui: “A IA não substituirá o professor criativo e mediador que utiliza as tecnologias para potencializar o ensino e a aprendizagem, mas substituirá os professores que reproduzem conteúdos, não mudam as estratégias de ensino e contam com máquinas para fazerem todo o seu trabalho.”



Um novo rumo para a educação


O uso da IA na educação ainda requer atenção e cautela. Contudo, sua utilização para a fomentação do aprendizado e capacitação dos profissionais do ambiente escolar é imprescindível.


Essa ferramenta se insere em todo processo de aprendizagem, alcançando o aluno, os professores, a equipe pedagógica e os familiares, tornando possível um aprimoramento na educação por meio do atendimento personalizado, otimizado e efetivo.


Além disso, pode vir a contribuir para a redução das desigualdades no acesso à educação em todo o mundo: “A IA do futuro me parece que pode de fato equalizar essas diferenças de acesso à educação. Consigo até imaginar que teríamos recursos educacionais da mais alta qualidade sendo acessíveis a todos em qualquer parte do planeta”, reitera Daniel Carlos.


A Inteligência Artificial chega na educação para ficar, portanto, cabe aos educadores e familiares adaptarem-se a essa tecnologia, a fim de torná-la uma aliada nas salas de aula, não um adversário. “Eu vejo a IA moldando o futuro da educação como uma extensão das capacidades humanas, mas nunca as substituindo.” – conclui Márcia Oliveira.




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