Gestão compartilhada: humildade é a capacidade de reconhecer a importância do outro

Uma gestão compartilhada nasce do entendimento de que um líder não consegue gerir uma escola sozinho: é necessário um trabalho a muitas mãos para garantir inovação e eficiência nos mínimos detalhes.


Século XXI, globalização, tecnologias, conexões que ultrapassam qualquer barreira física e de distância. Todas as organizações estão em constantes transformações. Liderança que olha para o hoje projetando o futuro, investigando, analisando e interpretando todos os desafios é diferencial.


Enfrentar o novo, o desconhecido com a certeza de que sua empresa e equipe estão preparadas, com margem de segurança, é se antecipar ao futuro com projeções de crescimento e expansão.



O que é a gestão compartilhada?


Essa realidade é uma tendência mundial, fato que alerta o mercado da educação e, consequentemente, as escolas para a necessidade de implantar uma gestão mais participativa e compartilhada, visto que são os diretores os elementos centrais das equipes gestoras e que, portanto, devem ter como base o fortalecimento do trabalho coletivo, a ética profissional e o comprometimento com a educação para garantir sua existência.


O gestor, para atuar de forma construtiva, deve ter visão contextualizada e flexibilidade para agir frente às mudanças que ocorrem fora do contexto escolar e que refletem na escola.


A instituição de ensino, no novo milênio, se enquadra numa visão administrativa em que o estabelecimento de metas e administração por resultados passa a ter papel fundamental no sucesso dessa organização, que é prestadora de serviço de qualidade, dentro de um mundo competitivo onde eficácia, eficiência e velocidade são tônicas para a sobrevivência.

Sendo assim, a gestão educacional compartilhada é tendência, visto que divide responsabilidade de forma integrada e unificada entre seus membros, na qual busca estabelecer as diretrizes metodológicas que norteiam o processo educacional, tendo como princípio balizador a união de seus membros sobre o estabelecimento de um planejamento conjunto, criado por membros articulados e organizados, no intuito de promover subsídios necessários para o desempenho das atividades inerentes ao processo educacional.

Ou seja, promover educação com foco na inovação, cujo objetivo está fundamentado em capacitar, atualizar e inovar constantemente a gestão, adaptada aos vários cenários contemporâneos. Esta é indiscutível uma condição necessária para manter a sustentabilidade e, consequentemente, a sobrevivência das escolas.



Vantagem competitiva

Aliar qualidades (conhecimento e experiência) e ter estratégias bem desenhadas e definidas em conjunto, é indispensável na gestão de uma equipe de sucesso. A principal vantagem competitiva de uma gestão compartilhada é justamente integralizar as diferentes possibilidades de resolução de um mesmo problema e/ou desafio, utilizando as diversas qualidades e “capacidades” presentes em cada integrante de seu time.


Quando há divisão entre as “lideranças”, proporcionalmente, também há maior aproveitamento dos profissionais de modo geral. O planejamento realizado de maneira conjunta possibilita que todos os envolvidos desenvolvam uma visão do todo, o que determina e norteia a construção de um trabalho uniforme.


Implantação

A implantação da gestão compartilhada na escola, portanto, não é tarefa fácil. Por isso, faz-se necessário um trabalho preliminar de conscientização e quebra de paradigmas, balizado por uma concepção tradicional, onde a zona de conforto deve ser abandonada, cedendo espaço para os desafios que uma gestão compartilhada efetiva propõe às instituições.


A gestão compartilhada não precisa ser necessariamente fixa. A estratégia pode ser aplicada quando houver necessidade, pois o objetivo é unir forças entre todos os profissionais da escola, sabendo dosar as “energias”, conforme as necessidades e o grau de importância. A prática da gestão compartilhada exige discernimento para onde se pode e se quer ir. O ato de tomar decisões sábias pode ser norteado pela citação bíblica encontrada em Provérbios 15.22: “Onde não há conselho fracassam os projetos, mas com os muitos conselheiros, há bom êxito”.



Objetivo

Desta forma, o objetivo da Gestão Compartilhada é, justamente, qualificar, ouvir e dividir anseios e resultados, de forma participativa e transparente, visando identificar e utilizar as melhores práticas, promovendo partilha de resultados que auxiliem no processo de tomada de decisões.


Equipe integrada e unida é resultado de um excelente trabalho do líder, que consequentemente aprendeu a “lidar” com pessoas, tarefa inerente a qualquer instituição de ensino, que por sua essência e natureza, forma e serve pessoas. Sim, servir, como bem nos ensinou o maior líder da humanidade: Jesus Cristo.


No livro de Mateus, no Novo Testamento, Jesus faz uma declaração sobre liderança que diz que qualquer um que pretenda tornar-se Líder deve primeiro servir. Para tanto, nos coloca que liderança deve ser afirmada por meio da autoridade, não por meio do poder, com gestos e atitudes, com a demonstração da força do caráter. E assim foi com Jesus, que por meio de pregações, milagres e solidariedade provou ser o messias, ser o líder que o povo esperava.


Na Gestão Compartilhada são esses ensinamentos que devem balizar a construção do espaço educativo, tendo como objetivo construir, e não destruir; educar, e não oprimir; fortalecer, e não dominar; incentivar, e não “segurar”.


A coragem e a esperança na construção de instituições que transformem o mundo por meio da educação, estão nos grupos de pessoas que integram a gestão escolar, que são liderados por meio de um trabalho fundamentado em valores tais como cooperação, atitude, transparência e amor.


Em tempo, e por fim, usemos a metáfora do jardineiro, que é campo rico em ensinamentos sobre a condição humana: “Sejamos como um jardineiro que cultiva variadas flores, mas sabe apreciar as qualidades de cada uma delas, com olhar colaborativo para a beleza do jardim e o sucesso de seu trabalho”.



Marli Lebkuchen Lange


Diretora Executiva Associação Nacional das Escolas Luteranas - ANEL

11 views0 comments