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Rede de cooperação entre escolas cristãs: a união faz a força

Updated: Apr 22

Você sabe o que é rede de cooperação? Você sabia que as escolas cristãs podem se unir em rede para sonhar junto e fortalecer o mercado? A Veredas Educacionais conversou com três especialistas para discutirmos sobre os tipos de cooperação e como integrar-se a uma rede pode ser a resposta para tempos difíceis.


A pandemia da Covid-19, que teve uma expressão significativa no Brasil a partir de março do ano passado (2020), trouxe muitas dificuldades e crises: sociais, econômicas, políticas e outras. 2021 parecia para todos nós o ano da esperança, contudo, com o aumento considerável de morte nos solos brasileiros, a situação continua crítica.


O mercado educacional não foi poupado: infelizmente, muitas escolas cristãs, principalmente de educação infantil, não conseguiram sobreviver e tiveram de fechar as portas. Nesse contexto desafiador, a união e integração em rede se tornou imperativa para garantir fôlego e soluções coletivamente.


O QUE É REDE DE COOPERAÇÃO?


Rogério Scheidegger, consultor da Prospecta Educacional, inicia com a própria definição de rede - que sendo de futebol ou vôlei, ou até de varanda - é um conceito amplo definido pela integração de um ponto com outros.


Dessa maneira, podem existir várias redes - formadas por pessoas, empresas - e associações. Assim como existem inúmeras possibilidades de promover essa união, seja por uma associação de escolas cristãs, como ACSI E AECEP por exemplo, com redes de escolas cristãs ou com o uso de sistemas de ensino. E, claro, não podemos ignorar, por meio de fóruns e grupos que unam gestores cristãos em prol de uma missão comum: educação de qualidade com princípios.


MERCADO EDUCACIONAL CRISTÃO ATUAL


Para o Professor Márcio Malerbi, gestor do Sistema de Ensino Mackenzie, que tem uma rede de mais de 400 colégios parceiros, esse momento é delicado e pede muita dedicação e união entre os gestores.


“Nós vimos, durante o ano passado, muitas escolas fechando as portas, principalmente a de Educação Infantil. Nesse contexto, cada colégio está tendo de se reinventar, renovar propostas, valores e mostrar a importância dela para a construção do futuro dos nossos alunos”, destacou.


Já o Professor Claudinei Franzini, diretor de expansão da Rede Batista de Educação e diretor executivo do Instituto Héxis, destacou os impactos socioemocionais na vida das crianças e adolescentes.


“Agora, com o aumento da intensidade do vírus, as crianças em casa terão um problema pro futuro que a gente não está conseguindo dimensionar agora, no sentido da autoestima intelectual e da motivação para o estudo. Não é fácil o momento, mas isso de trabalhar em rede é muito positivo, uma vez que pensamos coletivamente em saídas”, apontou.


PREÇO x VALOR


Outro aspecto notado, segundo Rogério, em relação ao mercado educacional, é o surgimento do interesse de grandes grupos educacionais na compra de escolas - o que faz com que o valor das mensalidades seja reduzido drasticamente, fazendo com que as pequenas escolas sofram com a concorrência.


Nesse contexto competitivo, Márcio considera que o grande diferencial de uma escola menor e cristã é o valor agregado aos alunos, aos pais e na formação da cidadania.


“Se por um lado existem escolas com o preço mais barato, por outro o valor agregado é o mais importante. A educação é um tema muito estimado para que os pais escolham apenas baseado em números. Se a escola tem uma comunicação concisa, agrega valor com uma educação de qualidade e com princípios, o seu preço será provado pelo seu valor”, defendeu.


Professor Claudinei, além de corroborar com a importância de agregar valor, destacou um ponto importante: capelania e relação com a família.


“Somado à necessidade de agregar valor - com uma proposta pedagógica consistente, boa plataforma educacional, socioemocional, bilíngue e outros - há de se pensar em estreitar os laços com a família e investir em capelães comprometidos com essa união. A capelania é um pilar fundamental da educação com valores”, frisou.


INTEGRAÇÃO NA PRÁTICA


Para falar sobre integração na prática, a nossa entrevistada foi a Professora Mônica Pinz Alves, diretora da Rede Excellent [de escolas] e membro da diretoria da AECEP. A Rede Excellent integra escolas para oferecer uma educação de excelência e para assessorar gestores(as) nas mais diferentes áreas: administrativa, pedagógica, financeira, gestão de pessoas, comunicação e jurídico.


“O sonho começou lá atrás, em 1998, com uma escola missionária em uma cidade do interior. Conhecíamos a AECEP e tínhamos uma educação com valores, mas sem a metodologia específica da Abordagem Educacional por Princípios (AEP). Com o tempo, tivemos oportunidade de assessorar igrejas, grupos de professores e gestores - contudo, a formalização só aconteceu tempos depois”, lembrou.


Mônica conta que, para ela, estar em uma rede é fundamental para quem quer oferecer uma educação de qualidade e, mais do que isso, para quem quer, de fato, fazer parte de algo, sonhar junto e realizar.


“No momento, me sinto parte de algo que já existe, que está definido, que dá sustentação e que tem a mesma visão e a mesma missão. Nesse sentido, chamamos as escolas que vêm até nós para a integração. Nunca foi sobre ser uma franquia, por exemplo, e sim rede de cooperação em prol dos mesmos objetivos: pela vida em abundância, pelas nossas crianças e famílias”, explicou.


Para Mônica, a riqueza dessa junção em rede consiste nas diferenças e identidades diversas - e toda a troca que permeia esse processo e viabiliza saídas coletivas para problemas externos, como a pandemia, que vem impondo inúmeros desafios para o mercado educacional.


“Justamente em 2020 foi mostrado o valor e os benefícios dessa união. Nossas escolas já pensavam na possibilidade de implantar ensino híbrido. O momento chegou e tivemos de aprender na prática. À época, a associação, grupos, lives e conteúdos da Prospecta foram nos dando consistência e entendimento do momento e como auxiliar as escolas levando em consideração as próprias características de cada uma. Sozinhos, seria muito mais difícil passar por isso”, ponderou.


Claudinei exemplificou práticas positivas de integração e crescimento mútuo. “Quando penso em ensino médio, penso em mostras de profissões online, que incluíssem vocação e missão, na qual cada escola apresenta uma profissão e a gente soma e agrega juntos. Além disso, vejo de forma positiva a criação de ambiente de repositório de materiais (vídeos, simulados, atividades extraclasse, planos de aula de educação cristã e outros) como forma de colaboração”, citou.


Outro item latente para o professor é a implantação da educação socioemocional e de projetos de vida, que são demandas para o ensino médio. “É importante que as escolas entreguem esse tipo de contribuição mútua para ofertar essa qualidade e valor agregado para famílias e alunos”, completou.


Por último, mas não menos importante, Claudinei citou a importância da capelania. “Preparar nossos capelães para estar junto das famílias que estão trancafiadas em casa com seus filhos. Oferecer apoio e aconselhamento de qualidade é fundamental”, constatou.


Para o Professor Márcio, a rede [de conhecimento] possibilita a capacitação de professores de uma forma mais rica. “Estamos pensando na capacitação: formação de excelência, professores capacitados, lives com autores e professores que ministrem capacitação e conhecimento e o resultado aparecerá”, garantiu.


A INTEGRAÇÃO DE UMA NAÇÃO


Para Mônica, essa lógica de integração pode - e deve - se espalhar pelo Brasil inteiro ao invés de ficar restrita a pequenos grupos.


“No ano passado (2020), ficou muito claro que não vivemos sozinhos - embora tenhamos de estar sozinhos por um bem maior - e que, sim, estamos conectados e isso mostra que não vamos crescer, avançar sozinhos: sempre precisamos do outro”, salientou.


“Nesse sentido, é importante encontrarmos os pontos/necessidades em comum e entender que eu tenho uma experiência, o outro tem outra e que juntos podemos agregar muito mais e vamos muito mais longe. a outra questão que vejo é que essa rede de pessoas vai contribuir para trazer nossas pessoas e o meu sonho vai acontecendo e outras pessoas fazem parte”, completou.


Ela finalizou falando que, embora muitas coisas venham derrubar a paz e otimismo, em rede, nós fazemos boa educação.


“Nós como equipe, estamos na retaguarda para auxiliar os professores nesse papel tão importante de mudar a vida de todos os alunos e famílias impactadas pela nossa educação com propósito. No momento que o pai se emociona dizendo que o filho aprendeu a ler por meio de aulas online, tudo se justifica e o resultado desse trabalho a muitas mãos aparece. Isso é ser rede”, concluiu. Afinal, se isso não é viver o evangelho por meio da educação, o que mais seria?


Mais informações: https://redeexcellent.com/