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Os desafios para a gestão em tempos incertos e imprevisíveis

Estamos mergulhados em uma crise sem precedentes, vivendo em meio a um caos político (extremismos), econômico (a inflação mundial pós pandemia), financeiro (perspectivas de recessão em 2023), moral (ser anti alguma coisa parece que virou moda), de identidade e infelizmente também de liderança, em seu mais amplo e irrestrito sentido.

Por Iolene Lima

Esse cenário altamente complexo que atinge em cheio todas as organizações, ou seja, as instituições escolares não são blindadas e estão expostas a tudo isso, exige uma reinvenção diária, atitudes disruptivas e um real protagonismo nunca experimentados, adicionando, a uma velocidade que só cresce. Nesse contexto, a figura e posicionamento de liderança do gestor escolar, individual ou coletivo (diretor ou equipe gestora), emerge como necessidade urgente. Aquele ou aqueles que assumem o leme da embarcação, que têm a visão e o direcionamento para onde se deve seguir, devem ter em mente nesse momento que é emergente planejar para não sucumbir.


Em célebre frase, Einstein já dizia que não é possível obter resultados diferentes fazendo as mesmas coisas. Em cenários altamente complexos é fundamental evocar o máximo da capacidade analítica para encontrar novas oportunidades, resolver problemas de gestão com alta complexidade, antecipar cenários, criar e executar novas estratégias. Sobretudo, a sensibilidade e grande habilidade para desenvolver talentos. Obviamente vale ressaltar que por mais que inovar seja fundamental, os gestores não podem abrir mão dos valores e princípios que fundamentam o seu negócio (a sua instituição escolar), bem como de que nosso maior patrimônio são as pessoas e não os prédios. Vale ainda salientar que nada interessa mais a Deus do que as pessoas. Elas são o foco do amor de Deus.


Portanto, os gestores escolares devem entender como as incertezas e variáveis estão afetando suas instituições. A partir dessa análise, poderão identificar o que precisa ser adaptado e melhorado no modelo de gestão, para que seja possível atingir de maneira mais fácil a excelência. Acrescento ainda que o modelo deve ser melhorado dia a dia, como resposta às mudanças impostas pelo mercado, no sentido mais amplo da palavra. Se a gestão não está estruturada, o desafio será ainda maior.


Considerando que uma das questões mais discutidas na gestão refere-se à qualidade da educação básica e aos desafios de melhorar o conhecimento dos alunos, há que se enfrentar essas questões com muita seriedade e comprometimento. A razão de existir de uma escola não é o ensino, precisamos quebrar o paradigma. A razão é a APRENDIZAGEM.


Geralmente o ponto forte de uma instituição escolar confessional são os laços de confiança e o engajamento. Porém, muitas vezes, falta profissionalização e uma administração racional, baseada em dados. Estes pontos fracos se manifestam em erros comuns que podem levar o negócio à sérias dificuldades, impossibilitando a perenidade:


  • tomada de decisões com base em intuição e emoções do momento;

  • ausência de regras, que culmina em conflitos pessoais, interferindo no desempenho;

  • poder centralizado, em oposição a uma hierarquia que agilize as tomadas de decisão;

  • conservadorismo, que restringe o funcionamento a métodos ultrapassados, enquanto o mercado está em constante mudança.

  • Para o crescimento em meio a cenários incertos, a adaptabilidade à mudanças é fator necessário à sobrevivência. A busca por ferramentas de gestão que possibilitem a consolidação, o crescimento e a efetividade (real aprendizagem dos estudantes), são fatores que não podem sair da agenda dos gestores.

Para que esses positivos objetivos sejam alcançados, cada vez mais as empresas têm buscado por ferramentas que potencializem os valores individuais e coletivos, como o endoacting, instrumento que propõe mudanças na cultura corporativa como meio de estabelecimento do bem-estar organizacional.


A proposta é tornar os funcionários colaboradores nos processos, incentivando-os a pensar como os donos do negócio. A chave para atingir essa sinergia é compreender que sem identificação não existe motivação. Este novo modelo de gestão vem complementar o Endomarketing, não basta “vestir a camisa”, precisam pensar como “donos do negócio”. Eis o segredo, o real engajamento das equipes escolares em torno das metas traçadas, do alvo: APRENDIZAGEM.


A técnica do endoacting foi desenvolvida pelas grandes corporações americanas em resposta à crise econômica e gestorial de 2008; ou seja, em meio a crises existem oportunidades. Eis o nosso desafio: encontrar oportunidades de crescimento num cenário turbulento.


Como então alcançar o crescimento

e encontrar oportunidades?



1. Estabeleça práticas de governança corporativa: Aproveite as especialidades de cada um para formar uma equipe gestora. Esta irá monitorar a organização e os resultados. Compartilhar decisões e reflexões. A cultura organizacional deve ser pautada na razão, mas sem esquecer sua origem e sua ética.


2. Crie espaços de comunicação: Esse realmente é um dos maiores problemas das grandes organizações. Facilitar o acesso às informações gera não só engajamento, mas segurança em todo o time.


3. Invista em processos sucessórios: Todos sabemos das dificuldades de contratação de bons colaboradores, principalmente de docentes. Aguardar somente que as universidades “entreguem” licenciados preparados para esse novo tempo é no mínimo romantismo. Creio mesmo que a residência pedagógica para docentes e a criação de espaços para “assistentes” de coordenação, a médio prazo, resolve e muito a demanda que temos por bons profissionais.


4. Trabalhe com análise de dados: Talvez a ferramenta mais valiosa que análise de dados oferece é capacidade de gerar e organizar bancos de dados. Lançar mão do uso dessas informações é essencial para compreender o presente e projetar o futuro, podendo melhor entender quais são as capacidades e necessidades da sua escola.


Enfim, tempos difíceis e incertos não criam situações confortáveis para a liderança. Tempos de crise proporcionam espaço para oportunidades. Líderes visionários enxergam possibilidades onde outros enxergam apenas o caos.

 

Iolene Lima

Pedagoga com diversas especializações e MBA em Gestão de Instituições Escolares. Mestranda em Transformação Digital. Conselheira da AECEP, conferencista, escritora, consultora do Instituto Hexis e Diretora do Colégio Shunji Nishimura / SP. www.iolenelima.com.br

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