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Devemos nos “pré-ocupar” com a Inteligência Artificial?

Updated: Oct 30, 2023

A capacidade de noticiar a crescente curva de aprendizagem da máquina é proporcional em admiração, assombro e incerteza. Algumas questões merecem o refinamento de expertise do educador e gestor educacional.

Fonte: Programa BENE


Por Lilian Neves


Em meio a uma avalanche de informações e documentos, costumo deixar correr um tanto de água e colocar algumas varas para pescar peixes mais graúdos sobre o assunto. Afinal, são muitos os temas que a educação precisa se ocupar com amplo foco para conseguir ser relevante na contribuição à formação humana.


Mudar a sua atenção a cada nova tendência dificulta os trabalhos de maturação e o médio prazo costuma não acontecer bem.


Com a inteligência artificial não será diferente. A capacidade de noticiar a crescente curva de aprendizagem da máquina é proporcional em admiração, assombro e incerteza. Gostaria de destacar 3 questões que merecem o refinamento de expertise do educador e gestor educacional:



Produção de Conteúdos


Com a leitura e produção de conteúdos por parte da máquina, a IA generativa compila uma base astronômica de dados e produz textos, imagens e linhas de programação em combinação e síntese de informações, em boa estrutura linguística.


O bom disso é ter uma análise sistêmica do “todo”, ao menos até que esse montante venha com novos conteúdos produzidos intencionalmente, quer por máquina ou por humanos - para mover a opinião pública, pensamentos, economia e até o estilo de vida. Nisso, há divergências sobre a existência de "criação" efetiva. Ainda estamos com uma pilha de peças coloridas encaixáveis produzindo formas novas em estatísticas multivariadas, ao que nomeamos inovação.



Pesquisa


Se a universidade nos ensina a importância do reconhecimento da origem dos conhecimentos, ou quem diz o que acerca de uma linha de pesquisa, com seus rigores de se fazer ciência, de repente citar a IA pode virar uma panela de muitos alimentos misturados, nem sempre em boa combinação.


Um conhecimento é uma construção social, influenciada por seu tempo, cultura, raízes, políticas, guerras. Nem tudo o que se produz num contexto pode ser aglutinado em outro. E quem disse que fazer ciência encontra consenso de maneira tão fácil? Bem, como conteúdo gerado pela inteligência de máquina, você não terá mais essa rastreabilidade da fonte, se é de bom crédito ou validade, e em que sentido se aplicou.



Sentimentos e emoções


Perguntei ao ChatGPT o que a IA não consegue fazer acerca da formação humana e a resposta (se vocês confiarem na fonte) foi a dificuldade com tudo que se relaciona à emoção: empatia e intuição humana; julgamento ético e moral; relacionamentos interpessoais significativos; experiências sensoriais humanas; desenvolvimento moral e personalidade. Também afirmou dificuldades com a linguagem (parece incoerente!) acerca de contexto cultural e social complexo; criatividade original; compreensão contextual e sutilezas linguísticas, além da resolução criativa de problemas complexos.


Bem, só aqui já reside uma lista de coisas que a educação terá seu papel insubstituível.


Sobre ajudar as pessoas a serem cada vez mais humanas, amáveis e reflexivas, a metodologia educacional precisa acreditar nisso, tornando o ambiente mais sócio interativo, operando valores como direito à escuta, tempo para o desenvolvimento, experiências mais significativas ao invés de conteúdos e provas para se verificar conteúdos.


Sobre o trabalho com a ética, temos que reconhecer que ela é o caminho para o bem comum, ou seja, para que todos sejam considerados nos processos de escolha e de ação moral. Para isso, reconhecemos o grupo de virtudes morais, ou aquelas que constituem bons hábitos que refletem condições de respeito, generosidade, honestidade, coragem, justiça, por exemplo.


Já a emoção, essa considerada no aspecto do desenvolvimento da personalidade humana, seria reconhecer aspectos favoráveis à capacidade de comunicar o que sente e pensa; abrir-se a novas experiências ao invés de sempre repetir o mesmo jeito de fazer as coisas; pensar antes de agir, ponderando com consciência nas ações; buscar estabilidade emocional e criando resiliência aos estados de profunda tristeza ou passividade; e, por fim, ser sociável, com amabilidade. Esses aspectos da personalidade serão estruturantes para as conhecidas competências socioemocionais.


Quanto à tecnologia e ao futuro, é reconhecer os dias de forma local e global, identificar as causas, as implicações e decorrências de uma escolha ou tendência, alcançando análise de contexto e pensamento crítico. Tudo isso com muita criatividade humana e saltos de vida que tanto as grandes personalidades quanto as pequenas crianças conseguem fazer. É disso que deve se “pré-ocupar” a educação.


Fonte: Programa BENE

 

Lilian Neves

Consultora, CEO da Weleto, autora do Programa BENE, conferencista e escritora.


www.programabene.com.br






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