As mudanças no pré-vestibular e como as escolas cristãs podem se adaptar

Os fatores que levaram as mudanças dos cursos pré-vestibulares, como os cursos se adaptaram e o que as escolas cristãs podem fazer de melhor para preparar os seus alunos.


Por: Rogério Moreira Scheidegger


Durante 12 anos da minha vida profissional fui coordenador de Pré-Vestibular em um colégio batista. Foi um trabalho desafiador devido à forte concorrência, escassez de bons profissionais e a demanda por aprovações. O modelo de Pré-Vestibular naquela época não tinha muita diferenciação entre um curso e outro. Para montar um bom curso, era necessária uma boa equipe de professores, um material didático de qualidade e alguns detalhes extras como aulões de revisão, simulados e turmas especiais.


Como citei, um dos principais desafios era formar uma boa equipe, porque não existiam muitos professores com o “jeito” para dar aula para Pré-Vestibular. Tinha que ser um professor comunicativo, com facilidade para ensinar e prender a atenção dos alunos. Nessa situação, tinham médicos e estudantes de medicina dando aula de biologia e química, farmacêutico e estudantes de farmácia dando aula de química e engenheiro e alunos de engenharia dando aula de física e matemática. À medida que foram surgindo novos cursos, principalmente cursos comunitários, foram surgindo novos professores e preenchendo a carência do mercado.


Tive a grata satisfação de formar uma boa equipe, uma das melhores do estado, que era o principal ativo do nosso curso. Com a expansão do colégio em diversas unidades, o Pré-Vestibular também foi crescendo e chegamos a matricular cerca de 1.800 alunos por ano.


A existência de cursos pré-vestibulares com muitos alunos, marcas fortes e turmas cheias era pautada pelo baixo número de vagas no ensino superior. Existiam as universidades públicas e algumas poucas particulares. Com isso, era comum um gerente de banco ou um supervisor de uma grande empresa não terem curso superior. E isso não tem tanto tempo assim, era a realidade do início da década de 90. Até para ingressar numa faculdade privada era necessário cursar um Pré-Vestibular e preparar para disputar a vaga.


As iniciativas de montagem de cursos pré-vestibulares representaram em diversos casos na formação de grupos empresariais para produção de material didático e expansão de colégios. Fortes grupos educacionais surgiram a partir de cursos pré-vestibulares.


Na segunda metade da década de 90, na gestão do Ministro Paulo Renato à frente do Ministério da Educação, cresceu em muito o número de faculdades particulares e de vagas no ensino superior, diminuindo a demanda reprimida e facilitando o ingresso em uma faculdade. É claro que isso representou a redução de alunos nos pré-vestibulares, que hoje se resumem na preparação para o ENEM e para o ingresso em faculdades de Medicina.



NOVOS TEMPOS


Nesse contexto de mudança no mercado e crescimento tecnológico, apareceram novos modelos de pré-vestibular. Como exemplo, existem os cursos totalmente online, que os professores dão aula pela internet e o aluno assiste onde estiver e quando puder; e os cursos de “alto desempenho”, que são focados na preparação de alunos para as vagas mais disputadas, principalmente as de Medicina.


Os cursos de “alto desempenho” oferecem serviços de psicologia, acompanhamento de tutores ou coachs, turmas reduzidas e aulas sob demanda, isto é, de acordo com aquilo que o aluno tem mais dificuldade.



PRÉ-VESTIBULAR NAS ESCOLAS CRISTÃS


Diante dessa nova realidade, como os colégios cristãos, que trabalham com ensino médio, devem preparar os seus alunos para o ingresso no ensino superior? Além disso, estamos no período de implantação do novo ensino médio, que tem uma característica de formação e não apenas de ensinar conteúdo.


Tentando responder um pouco esta questão e não que seja fácil, as escolas cristãs devem aproveitar aquilo que possuem de mais precioso para preparar os seus alunos, isto é, a formação do caráter dentro de princípios bíblicos. Hoje se fala e aplica muito a formação socioemocional, que as escolas cristãs, em boa parte, sempre desenvolveram com os seus alunos. Portanto, manter o foco na formação do caráter com uma educação de princípios é um bom diferencial para as escolas cristãs trabalharem neste contexto atual. Desta forma, os alunos estarão sendo preparados para a vida profissional e para vida em sociedade.


As escolas devem se utilizar de tecnologia e se espelhar também na preparação de alto desempenho para apoiar os seus alunos. Uma possibilidade é a criação de turmas especiais, para alunos que almejam cursos mais disputados, com orientação vocacional, acompanhamento de tutoria e ênfase em conteúdos relevantes.


Não existe fórmula mágica para um mundo disruptivo, mas cabe criatividade, inovação e planejamento e oração e muito cuidado com o que temos de mais preciso: os nossos alunos.


 

Rogério Moreira Scheidegger


Formado em Teologia, com Especialização em Educação e Mestre em Administração (FGV). Gestor e consultor educacional em diversas escolas e faculdades. Sócio da Prospecta Educacional.

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